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Moda e Futebol: relações aventurosas

Por: Luciana Flores

Ao longo da história, o design das roupas de dentro e fora dos campos evoluiu de acordo com os tempos, prevalecendo a beleza, o luxo, a criatividade, a praticidade ou a tecnologia. Hoje, vemos essas relações se fundirem em nome do esporte, da funcionalidade, do comércio e do espetáculo.

Estamos nas quartas. Ufa! Assim, não perdi a minha pauta. Podemos falar mais sobre Brasil, futebol e moda. Há até poucos dias, a exposição “Brasil, um país um mundo”, que conta a história do futebol, estava em cartaz simultaneamente em São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus, todas, cidades-sede da Copa do Mundo Brasil 2014. Em Manaus, foi até 25/06, mas segue no Rio até dia 14/07 e em São Paulo, até 15 de julho. Nela, os visitantes podem ver particularidades do futebol sob diversos aspectos, incluindo a moda.

Algumas curiosidades são: as chuteiras dos anos 1930, que pesavam quase um quilo, hoje, têm menos de 200 gramas. O mesmo ocorre com as camisas, que pesavam cerca de meio quilo e com a transpiração dos jogadores, podiam ficar bem mais pesadas. As camisas atuais, preferencialmente, não passam de 200 gramas e não retêm suor, melhorando a performance do jogador. As primeiras chuteiras usadas na Inglaterra eram pesadas, entre outros motivos, por ter solado e ponta de madeira. No Brasil, elas não chegaram a ser muito usadas.

O curador da exposição, Ricardo Correa, conta que, no entanto, isso influenciou o nosso futebol, fazendo com que sejamos, hoje, os melhores do mundo. Desde o século 19, garotos ingleses possuíam uma chuteira para jogar bola e essa ponta de madeira servia para proteger o dedão. A criançada brasileira, especialmente as mais carentes, não tinham chuteira para jogar futebol e muitas vezes nem calçado. Como vemos até hoje, muitas peladas são jogadas de pés descalços. O curador diz que, assim, para proteger o dedão, o brasileiro criou diversos estilos de bater a bola: de calcanhar, de lado, etc.

Também antigamente, os primeiros jogadores de futebol não possuíam uniforme, usavam a roupa de baixo pra jogar. E por influência do estilo vitoriano, usavam até boina. Além da moda, a boina tinha uma função importante: proteger a cabeça dos atletas das costuras grossas da bola, que era de couro e bem mais pesada que atualmente. Mais uma comparação: o peso da redonda, que girava em torno de um quilo, hoje, não pode passar de 450 gramas, oficialmente.

Há, obviamente, várias histórias por trás dos uniformes, onde detalhes podem revelar importantes significados. Entre os estilos e materiais, já se usou ombreira, matelassê, golas altas, shorts minúsculos (hoje, mais comportados), material de garrafa pet, etc. Hoje, o futebol é um laboratório sob diversos aspectos, de moda a estilo, de material à usabilidade, ao desempenho. O lado fashion, no entanto, perdeu muito quando se começou a utilizar marcas nas camisas de clubes. O que para muitos era um manto sagrado, virou vitrine de patrocinador.

 

E como não poderia deixar de ser, hoje temos também os jogadores fashionistas. O mundo fashion, a vaidade e a metrossexualidade invadiram um dos mais masculinos dos esportes. Do goleiro brasileiro Leão pioneiramente fazendo propaganda de cueca nos anos 1980, passando pelo precursor metrossexual David Beckham, ao metrossexual do momento, Cristiano Ronaldo, que faz o telão do estádio de espelho. Entre outros, eles fizeram dos outdoors de cueca lugar comum. Sem esquecer, claro, das loucuras fashionistas de hipercolorir de chuteira a cabelo.

Antes desta Copa, quiçá a maior interação entre moda, design, esporte e funcionalidade tenha sido a parceria entre a conhecida empresa de artigos esportivos Adidas e a darling fashion com pedigree de beatle, Stella McCartney. No início do ano, ela não só assinou uma coleção de sportswear para a marca, como pela primeira vez durante a Semana de Moda de Londres, conseguiu montar uma academia que serviu de passarela, onde os modelos exibiam as roupas funcionais que podiam ser vistas em sua beleza e desempenho.

Bem, no fim das contas, moda e futebol são dois espetáculos que, no mundo atual esmeram não só beleza, mas muito capital. E para vender, claro, tinham que se juntar. Admiremos, pois.

Fonte: http://lounge.obviousmag.org/

26-12-2015